Desde o primeiro click gostei de sorrir em fotos. Não sei de onde veio essa mania. Talvez seja mimetismo, talvez vontade de viver. Só sei que me acho tão feia séria e respeitável que acabo sorrindo até mesmo em 3 x 4. Deve ser mania, vaidade ou loucura minha mesmo…
Só que agora, desfolhando o arquivo digital, senti uma vontade louca de ser aquela pessoa ali – tão parecida comigo – que figura em mais de cem fotos. Senti vontade de ser mais criança, bobona, xereta… Parar um pouco de correr contra o tempo e rir com quem gosto e só do que gosto… Senti vontade de me doar mais, me ser mais…
E não adianta colocar a culpa na falta de tempo, de dinheiro, de disposição… é a violência urbana que não me permite mesmo ser metade do que sou. É o xingamento do vizinho, o motorista do 426 que não pára no ponto, é a concorrência desleal, é a inveja, a trapaça, as vingacinhas chulas do dia-a-dia que me fazem ser sisuda e feia como em algumas fotos documentais.
Transcendendo um pouco mais essa observação, acabei percebendo que são poucas as pessoas que não sorriem em fotos. Afinal, ninguém gosta de sair com cara de funcionário mal-humorado de repartição pública em registros familiares, não é mesmo?
Então por que no meu cotidiano continuo sempre longe daquelas fotos, daquele click? Por que sempre vou permitindo aprisionar o meu melhor em arquivos digitalizados para ser no cotidiano aquela cara de “quem comeu e não gostou”? Logo eu que esperava tanto da humanidade vou me perder e não mudar?
Quer saber?!? De agora em diante eu digo mesmo putaqueopariu para quem merecer, se não gostar que revide… Prefiro ter um olho roxo a uma úlcera eterna… e o bicho vai pegar!
Que tal fazer o mesmo???













… nada acontece por aqui…