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RIO, CIDADE MARAVILHOSA Você realmente acredita nisso?


Quando a gente está longe de casa, numa cultura diferente e num ambiente mais seguro, certas coisas ficam mais claras e absurdas. Mas pra mim, casos como o da Juliana Pereira sempre foram absurdos. Só que mais absurda ainda é sempre a reação do carioca: chora, faz passeata, culpa o governo e depois vai sorrir lindo no Carnaval.
Cada vez mais, acredito que o pior do Rio é o carioca, assim como o pior do Brasil é o brasileiro. Todo mundo se choca, todo mundo diz que tem que mudar, mas ninguém pensa e concretiza uma ação eficaz que mexa com a consciência dos políticos, dos bicheiros, dos traficantes… Pode ser uma coisa boba como uma greve geral da classes A e B na cheiração de pó. Simples, rápido e eficaz.
Só que ninguém quer mudar! Todo mundo quer continuar a aniquilar o pobrinho, todo mundo quer que a Maria continue morando na favela e limpando a merda que os riquinhos deixam para trás. Os filhinhos-de-papai querem continuar a comprar a 400 reais o penúltimo reebok da moda pra esfregar na cara do filho do porteiro, que ou vira porteiro ou traficante (porque pobre ou é bandido ou continua no sistema servil).
Enfim… como pra você é muito difícil parar de cheirar o teu pó ou parar de comprar a maconha do amigo que tem coragem de subir o morro; como pra você não é justo continuar a viver sem a Maria (que tá contigo há vinte anos!); e como pra você é bom se sentir superior de vez enquando, já que o teu chefe sempre caga na tua cabeça, o Rio vai seguindo como tá! Então, aproveita o link da Juliana – namorada do meu amigo de infância que estava construindo com ele uma história linda – e começa a organizar a passeata! E não esquece que se você tomar um balaço, não vai ter cirurgião de plantão para te socorrer e como sempre, o Estado, que você escolheu, vai dizer que negligente é você por ter passado numa região tida como violenta!

[E aí você me acusa dizendo que eu abandonei o barco... É... É verdade! Como eu tenho mais ou menos a idade da Juliana e o meu grande objetivo nesta vida é ser mãe, não acredito que o Rio de Janeiro (cidade maravilhosa, blábláblá) seja o lugar ideal para realizar o meu sonho. Como eu nunca cherei pó ou fumei maconha por aí, também não sou elegível para o protesto que eu e a Bárbara sugerimos. Então, desisti mesmo... sou covarde e interesseira! E como você não vai tentar mudar nada, eu vou vivendo num país civilizado onde morte de traficante é tratada como a morte de um ser humano, desencadeando uma série de discussões escandalizadas numa sociedade onde assassinato não é normal!]

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Veronica Heringer - who has written 250 posts on MadameHeringer.com.

Veronica Heringer is a multimedia professional experienced in developing marketing and public relations strategies for TV, radio, print and online platforms. Originally from Rio de Janeiro, Brazil, she has been living in Canada since 2006. Veronica is a declared Social Media junkie and the master mind behind MadameHeringer.com.

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2 Responses to “RIO, CIDADE MARAVILHOSA Você realmente acredita nisso?”

  1. Antônia says:

    Essa idéia de que se o trafico acabar a violência também acaba é das coisas mais românticas que já ouvi. Vamos supor que isso aconteça. O que o governo vai fazer com as milhares de pessoas envolvidas no tráfico, que preferem arriscar a vida nesse trabalho do que ralar para caramba e receber um salário de fome? Vão criar empregos bem pagos do dia para a noite e profissionalizar essa gente toda para que sejam inseridas no mercado de trabalho? Se o trafico acabar a policia também terá que ser reformulada, pois não haverá mais desculpas para esse empurra-empurra de responsabilidades – afinal, o principal problema acabou. Eles vão passar a fazer o trabalho de maneira honesta e eficiente? O governo vai passar a dar uma formação e um salário decentes para os policiais? Isso sem falar na policia militar, que não se encaixa no contexto em que vivemos. Quem vai ter coragem de acabar com ela? Pensando nisso tudo, acho que a melhor (e única) solução no nosso caso é descriminalizar as drogas, pois assim o processo passa a ser controlado, os envolvidos passam a ter responsabilidade sobre o que estão vendendo e os consumidores têm a garantia de receber produtos de qualidade (quem estuda o assunto sabe que os maiores danos não são causados pelas drogas em si, mas pelas misturas que são colocadas nelas para que rendam mais). Dessa forma o assunto poderá ser tratado sem hipocrisia, explicando abertamente os danos e benefícios de cada droga (pois também há benefícios, mas ninguém tem coragem de falar isso). Só que isso é querer muito para uma população gosta de falar, falar, falar sem ter interesse em estudar o que está falando.

  2. Sandro e Família says:

    Acabei de encontrar seu blog e estou no momento escutando o RJ TV. Imagina no que se concentrou o noticiário…bala perdida..morro invadido..inocente morto.Todo dia é a mesma coisa.
    Por isso estou indo embora o quanto antes.

    Parabéns pelo post que retrata exatamente o que sinto.

    Abração

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