[In Portuguese] Cartas de Toronto: A guerra contra os carrinhos de bebê

Tudo começou há mais ou menos um mês quando a Torontonian de 61 anos de idade Elsa La Rosa sugeriu durante uma reunião aberta da prefeitura que a cidade limitasse o número de carrinhos de bebê em ônibus, bondes e trens. A sugestão de La Rosa foi além: cobrou da TTC – empresa administradora do transporte público de Toronto – que impusesse uma taxa de dois dólares por carrinho.

Toronto vem discutindo a validade da sugestão levantada por La Rosa com afinco. Verdade seja dita, os carrinhos de bebê parecem mais limousines infantis por aqui. Muitas vezes, as baby-limos servem como carrinho de compras para as mães enquanto a criança ocupa um dos assentos disponíveis.

Nem vou mencionar as ocasiões em que o carrinho de bebê é ocupado por crianças grandes, grandes o suficiente para não caberem nele. Mesmo assim, na opinião dos pais, o rebento tem o direito de bloquear três assentos para acomodar confortavelmente a sua cadeira sobre rodas.

Stroller TTC
Agora imagina esse cenário na hora do rush. Segundo estimativas do próprio TTC, ônibus, trens e bondes da cidade transportam aproximadamente 2.59 milhões de passageiros por dia. Quem já andou de metro entre 7 e 9 horas da manhã por aqui sabe que cada inch (polegada) do trem é valiosíssima. Por isso, a sugestão de La Rosa não é tão descabida.

Entre adultos sem filhos e pais enfurecidos, o TTC agora desenvolve um estudo para resolver a questão. O fato da comissão de transporte ter iniciado o estudo já afetou a popularidade do órgão na cidade e gerou uma série de declarações públicas afirmando que o TTC não tem planos imediatos de restringir o número de carrinhos de bebê em veículos.

Mas como reclamação na reunião aberta da prefeitura é reclamação investigada, o estudo segue em frente dividindo os Torontonians.

Eu não tenho filhos, nunca precisei puxar um carrinho de bebê por Toronto. Mas torço para que a polémica gerada por La Rosa sirva pelo menos de alerta aos paisjoselitos que por aqui transitam. O sistema de transporte público tem apenas um objetivo em sua existência: mover o maior número de pessoas da forma mais eficiente e rápida possível.

Quer conforto? Viaje fora dos horários de pico ou compre um carro porque eu e 99% das pessoas nesse trem queremos chegar na hora e sem problemas ao trabalho.

E no Brasil? A moda dos carrinhos-limousine já pegou?

Artigo originalmente publicado em 17 de fevereiro no Blog do Noblat.

About Veronica Heringer

An award-winning digital strategist experienced in creating integrated campaigns for local and international brands and non-profit organizations, Veronica Heringer currently serves as Transmedia Strategist for Smokebomb Entertainment. She holds a Bachelor of Arts from Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), and recently completed a Masters of Arts in Media Production at Ryerson University. Her Ryerson project, My Name is Jessica Klein, explores the connection between content, new technologies and audiences through the use of social media and won the 2012 Innovative Storyteller $20,000 Mentorship Initiative Award from marblemedia, a Toronto-based transmedia producer, and Corus Entertainment.
  • Lidia

    Nossa, amei esse post! Eu gosto de assuntos polêmicos e sei que quando estiver no Canadá, pegando transporte público diariamente, essa coisa dos carrinhos de bb vai me incomodar bastante… Eu já achei estranho quando estive aí de férias, imagine no dia-a-dia! Sou super a favor de cobrarem uma taxa extra para aqueles trambolhos, os carrinhos daí parecem mais naves espaciais que carrinhos de bb! Por aqui, pelo que tenho visto, quem anda de ônibus não tem grana para comprar carrinhos tão grandes… Além do mais o povo não é burro, sabe que ônibus no Brasil é lotado e não vai caber a mãe, o bb e um trambolho-carrinho, então quem pega ônibus geralmente carrega um carrinho pequeno… Agora em shopping eu já vi famílias mais endinheiradas levando seus bb’s em umas navonas enormes, quase do tamanho de um carro de verdade! Hahahahaha! =P

    Abraços,
    Lidia.

  • http://leslapins.wordpress.com/ Erika

    É sempre assim, onde nao há bom senso por parte das pessoas, há que se aumentar a burocracia, carestia, leis, regras, controles, etc.
    Vivemos uma era onde quase todo mundo acha que tem direitos, mas quase ninguém quer ter deveres, onde quase todo mundo quer ser respeitado, mas respeitar os outros sao outros 500.
    Esquecem que a liberadade de um vai até onde começa a liberdade do outro.

    Esse comportamento dos “carrinhos” é apenas um entre tantos outros de uma geraçao de maes que acham que porque elas resolveram parir, o resto da humanidade inteira tem que parar e fazer reverencia para elas (depois nao sabem de onde vem o comportamento das crianças-tiranas). Hello-ou, outros 6.000.000 de indivíduos já tiveram a mesma “brilhante” idéia, entao dá para tentarmos convivermos nesse espaço limitado, de recursoso limitados, de maneira “organizada” e “respeitosa”? Resolveu ter um pimpolho fofinho? Ok, lindo, mas a responsabilidade e consequencias é TODA de quem tomou essa descisao e nao deveria interferir em nada a vida das outras pessoas que nao participaram nem do delicioso momento da concepçao (rsrs) nem da descisao de levar a cabo a prenhez da madame!

    Enfin, to com dona Elsa e nao abro!

    abraços
    Erika
    PS: Sera que essa idéia pega por aqui? Amei!