[In Portuguese] Cartas de Toronto: O sistema de cotas no ensino fundamental e médio
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Há duas semanas vêm-se discutindo por aqui uma recomendação polêmica enviada pela direção do Toronto School Board – equivalente a administração das escolas municipais no Brasil – aos diretores das escolas públicas. Segundo o memorando, entrevistas a candidatos a vagas de professores nas escolas locais devem ser concedidas a indivíduos que se enquadrem na(s) seguinte(s) categoria(s): homens, representantes de uma minoria racial e/ou pertencentes a um dos primeiros povos do Canadá. O memorando também destacava a importância de se considerar apenas profissionais qualificados, mas para quem trabalha na indústria a recomendação parece mais uma ordem. O ensino fundamental e médio é uma das poucas indústrias (senão a única) dominadas por mulheres na América do Norte. Muitos são os fatores que determinam essa peculiaridade, incluindo o preconceito de que homens interessados em trabalhar com crianças e adolescentes seriam pedófilos. Interessante é destacar que no ensino superior homens são maioria e melhor remunerados que professoras com a mesma experiência e qualificações aqui no Canadá. A medida do Toronto School Board é motivada por uma das mais nobres intenções. Ao se pronunciar publicamente, o órgão ressaltou que a recomendação visa refletir a configuração racial local e de certa maneira inspirar alunos pertencentes a minorias a se conectarem a mentores que tenham passado pelos mesmos conflitos vividos por eles em suas comunidades. É o mesmo argumento usado por mulheres em indústrias ligadas a tecnologia e ciências exatas: muitas de nós nunca considerou uma carreira em tais indústrias por ausência de um modelo e/ou pré-conceitos reforçados ainda nos primeiros anos da vida escolar. A oposição ao memorando do Toronto School Board afirma que o processo de identificação entre alunos e professores é baseado em afinidades acadêmicas e personalidades. Recentemente, a professoraYuni Kim escreveu um artigo para a revista canadense Maclean’s relatando que dos 32 professores que teve no ensino médio, apenas três pertenciam a uma minoria, mas nenhum deles era uma professora asiática. Aqui ou aí, o sistema de cotas, seja na aceitação de alunos ou na contratação de funcionários em qualquer empresa, continua um assunto delicado. Seria rotularmo-nos a nossa etnia ou sexo a melhor solução? Honestamente, não sei, deixo a resposta para vocês! Artigo originalmente publicado em 3 de março no Blog do Noblat. |